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Sonia de Borodaewsky Delouteau FRENPT

Royan · Charente-Maritime · Rol de tripulação

Sonia de Borodaewsky Delouteau

1926–1999. A primeira mulher inscrita como pescadora profissional em França (1963). Mecânica naval, escritora — aquela que derrubou a ordenança de Colbert.

Medalhão do centenário de Sonia de Borodaewsky

1926 — 2026 · centenário do seu nascimento

Retrato de Sonia de Borodaewsky
Sonia de Borodaewsky — arquivos de família

Retrato

Retrato de uma mulher de pé

Perante as tempestades da existência, há quem se recuse a lamentar e escolha agir.

Esta é a história de uma mulher que se viu sozinha, verdadeiramente sozinha, para travar o maior dos combates: o de sustentar a sua família.

Partindo do nada, sem trabalho e com cinco filhos a seu cargo, teve de enfrentar a realidade de uma separação e de um divórcio. Longe de ser uma confissão de fraqueza, essa rutura tornou-se o ponto de partida de uma coragem fora do comum. Para alimentar os seus, era precisa uma determinação à altura da provação.

Foi essa urgência vital que a levou a embarcar, a enfrentar o mar e as suas incertezas. Sair para uma maré de um dia não era apenas defrontar os elementos: era a garantia de regressar à noite com a godaille, aquela parte da pesca que permitia pôr comida na mesa. Desenrascou-se sozinha, pela força dos seus pulsos e do seu amor de mãe.

Um percurso exemplar, escrito na dignidade, no trabalho e no sacrifício silencioso de uma mãe de exceção.

Em memória

Sonia de Borodaewsky,
casada Delouteau
(1926-1999)

A França, tal como a Inglaterra, mostra uma notável ingratidão para com aqueles que a fazem avançar. É nosso dever levantar esta injustiça e devolver a luz a estas estrelas escondidas.

O reconhecimento, como uma folha levada pelo vento,
Nem sempre encontra repouso na nossa terra ingrata,
A história de Sonia de Borodaewsky, como uma lágrima,
Pérola silenciosa, esquecida nas brumas do passado.

O seu nome, uma melodia doce, uma sinfonia de audácia,
Sonia, casada Delouteau, mulher de destino surpreendente,
Uma pioneira, o primeiro esboço de uma feminilidade do mar,
Num mundo de homens, onde a coragem toma formas infinitas.

Mas é nosso dever levantar esta injustiça,
Devolver a luz a estas estrelas escondidas,
Pois a grandeza dos que iluminam o nosso caminho,
Não pode ser sufocada pelas sombras da mediocridade.

Sonia de Borodaewsky, estrela fulgurante na sombra,
Primeira francesa inscrita nos registos marítimos,
A sua coragem e o seu talento brilhavam como faróis,
Guiando as gerações futuras por horizontes inéditos.

Sonia de Borodaewsky, símbolo de uma feminilidade emancipada,
Num mundo em que as barreiras se faziam fortalezas,
O seu legado perdura como um testamento de esperança,
Lembrando a todos que a grandeza não tem sexo nem fronteiras.

Sobre

Sonia de Borodaewsky

A partir de La Houle, de Sonia de Borodaewsky

Nasceu em Saigão a 21 de agosto de 1926, filha de um pai russo oriundo de uma família da alta nobreza despojada pela revolução. Nada, nessa infância, a destinava aos cais de Royan.

Chegou ali com cinco filhos e sem trabalho. O porto ficava debaixo das suas janelas: a água lodosa na maré baixa, as apanhadoras de ostras dobradas em dois, as mãos abertas pelas conchas, os arrastões a entrar para a lota. Ficou meses a olhar para aquilo. Depois, numa manhã de abril, sentada sobre um cabo, deixou de resistir e pediu para embarcar.

Um mestre aceitou levá-la. O ofício que descobriu nada tinha do devaneio marítimo: catorze horas de mar, cinco horas para descarregar a pesca, fazer as compras e ver os filhos, cinco horas de sono, e recomeçar. Conta os seus desastres sem os disfarçar — os nós que largam, o guia de cabo partido a quinze mil francos, a ordem mal ouvida que faz dela a tola do porto. Fala também das suas mãos, inchadas e cortadas pela escolha do peixe, que outrora corriam, leves, sobre um piano.

Uma manhã, o mestre já não a pôde levar a bordo: o síndico tinha invocado a regra. As mulheres não podiam pescar nem constar de um rol de tripulação. Continuar a levá-la sem a declarar custar-lhe-ia uma multa. Nenhuma mulher estava então legalmente inscrita. Ela respondeu que seria a primeira.

Comprou então o seu próprio barco, o Voluntas Dei, construído em 1954, e pediu emprestados setecentos mil francos para o equipar. Armadora do seu navio, tinha ainda assim de contratar um mestre: a lei não lhe reconhecia qualquer direito a bordo. Ao fim de meses de diligências, a marinha mercante acabou por lhe passar uma caderneta de ajudante de pesca — um documento habitualmente reservado ao pessoal feminino dos paquetes, e que pela primeira vez trazia a menção «para a pesca». Ei-la inscrita no rol, paga como marinheira. Mas já sabia que nunca seguraria o leme sozinha, e que nunca seria mestre do seu próprio barco. A luta administrativa que se seguiu é contada mais abaixo.

Foi dessa vida que nasceu La Houle, escrito de noite, entre duas marés, publicado pela Julliard em 1959 e distinguido com o Prémio Maryse Bastié. Um livro sem complacência, em que o deslumbramento — a massa fervilhante que jorra da rede, o camarão a chiar, um choco a cacarejar como uma galinha zangada — convive com a exaustão e a humilhação.

Faltava o essencial, que nenhum texto administrativo lhe daria: um homem que a respeitasse. Contratou Amédée Delouteau como mestre. Ele tomou conta dos seus cinco filhos sem nunca fazer perguntas, desenhou com ela o arrastão da sua vitória, e nunca mais a deixou.

Últimas vontades

Retirados em Meschers-sur-Gironde, morreram ali um após o outro: Sonia em fevereiro de 1999, Amédée a 29 de julho de 2011, no hospital de Royan. Ele guardara sempre junto de si as cinzas da mulher. Depois da sua morte, as cinzas de ambos foram lançadas ao mar ao largo do farol de Cordouan, no estuário do Gironde, rodeados pela família e pelos amigos.

Em 2006, Jean-Louis e Nadine Plantevigne recolheram o seu testemunho em La Cotinière. Nele conta, pelas suas próprias palavras, o embarque aos doze anos no dia seguinte ao exame da escola, o furacão de fevereiro de 1935, a passagem de aviadores para Inglaterra a 23 de junho de 1940, a mãe fuzilada a 2 de outubro de 1942, o trabalho obrigatório na Alemanha e a fuga, as redes da resistência, e depois a noite de 1 de maio de 1945 e a libertação de Saint-Pierre-d'Oléron.

O relato de Amédée Delouteau · PDF (em francês)

Recorte de imprensa sobre Sonia de Borodaewsky
Arquivos de família — recorte de imprensa

Retratos

A luta contra a ordenança de Colbert

Um texto herdado do sistema de registo instituído por Colbert no século XVII proibia as mulheres de constar do rol de tripulação — o único ato que dava direito a salário, a proteção social e a reforma. Ainda assim, Sonia lançou-se na pesca profissional com o seu próprio arrastão, o Voluntas Dei, em semilegalidade.

A primeira mulher marítima de França persistiu, apesar dos muitos conflitos com a administração marítima. Entrou na Escola de Navegação de La Rochelle, instituição que nunca tivera uma mulher nos seus bancos, e concluiu o curso. Foi assim que conseguiu ser inscrita no rol como mecânica — sem por isso ter o direito de segurar o leme sozinha. A sua batalha administrativa venceu a 28 de janeiro de 1963: a proibição caiu para todas. Ela própria continuou mecânica e armadora dos seus barcos.

«Quatro vinténs de linha»

Uma manhã, o mestre anunciou-lhe, embaraçado, que já não a podia levar: o síndico invocara um texto herdado de Colbert que proibia as mulheres de serem inscritas nos róis de tripulação.

Apelidada desde então «Quatro vinténs de linha» ou «Sonia a Boga», pela sua pequena estatura e aparente fragilidade, não se deixou abater e decidiu comprar o seu próprio barco. Um amigo da família aceitou emprestar-lhe o dinheiro; ela pagaria maré após maré. Encontrou um velho barco chamado Voluntas Dei. Mas, apesar de armadora, o regulamento da marinha mercante recusava-lhe a caderneta de inscrição marítima por ser mulher. Proprietária do barco, tinha de contratar um mestre responsável e seria considerada passageira a bordo.

A situação revoltava-a. Suportou-a por algum tempo, mas iniciou uma luta permanente contra a administração, arrancando uma derrogação atrás da outra. Ao fim de oito meses de insistência, obteve a sua caderneta profissional de «ajudante de pesca, terceira categoria». Podia agora trabalhar e ser paga como marinheira, mas não tinha o direito de segurar o leme sozinha.

La Houle e o Prémio Maryse Bastié

Em 1957, a doença prendeu-a durante seis meses a uma cama de hospital. Retomou os seus apontamentos, completou-os, e deu assim origem a um livro: La Houle. Escolheu um editor ao acaso, Julliard. Na volta do correio, chegou-lhe um contrato. La Houle não só foi publicado, em 1959, como recebeu o Prémio Maryse Bastié, atribuído todos os anos a uma escritora que se impõe num ofício perigoso e nele encontra a sua fonte de inspiração.

O livro teve enorme êxito, com traduções em várias línguas. Deu muitas entrevistas e foi muitas vezes convidada para encontros literários, receções e serões ao lado de Minou Drouet e de Françoise Sagan, as outras duas estrelas da escrita no final dos anos 1950. Depois da franca hostilidade dos habitantes de Royan, esse reconhecimento comoveu-a, e o mundo brilhante dos intelectuais parisienses fascinou-a um pouco. A Julliard assinou com ela um contrato para cinco romances. Escreveu La Fille du vent, na linha direta de La Houle, mas o editor pediu-lhe que apimentasse o romance com uma história sentimental. Recusou terminantemente e rompeu o contrato. Adeus, pois, à Paris literária e à escrita de romances: de regresso a Royan.

Mecânica, contra a vontade do diretor

Decidiu então inscrever-se na Escola de Navegação de La Rochelle para aprender mecânica naval. O velho e respeitável diretor indignou-se: se aquela mulher entrasse na sua escola, ele sairia. Sonia foi aceite depois de recorrer ao ministério competente — ser célebre ajuda — e, algumas semanas mais tarde, o diretor apresentou a demissão.

No final de 1961 obteve uma excelente classificação e um diploma: a carta de mecânica de pesca, sexta categoria. Era a primeira carta deste género obtida por uma mulher. Uma vitória — mas a lei continuava a proibir-lhe o leme.

A luta prosseguiu. Foi então que, na sequência de uma sabotagem, o Voluntas Dei se afundou no porto de Royan. Longe de se deixar abater, participou no programa Vous êtes formidables !, de Pierre Bellemare, na Europe n.º 1, para reunir o dinheiro de um novo barco. Chamou-se Rodolphe-Maryse. Com ele teve ocasião de aprofundar os seus conhecimentos de mecânica, tão frequentes eram as avarias do motor.

28 de janeiro de 1963: o mar aberto às mulheres

Quando largou a chave inglesa, prosseguiu a luta pela igualdade plena de direitos com os homens. Já não estava sozinha: o administrador da inscrição marítima de La Rochelle apoiou o seu processo, e ela escreveu a muitos parlamentares até que André Lacaze — presidente da câmara de Cozes de 1947 a 1973 e deputado da Charente-Maritime — decidiu apoiá-la. Bateu às portas certas e soube ser persuasivo: a 28 de janeiro de 1963, a sua vitória concretizou-se enfim. Uma decisão da administração da marinha mercante libertou as mulheres da proibição herdada de Colbert e abriu-lhes as escolas do mar.

Já a expressão «inscrito marítimo» só desapareceria dois anos mais tarde: foi a lei de 9 de julho de 1965, que aboliu a inscrição marítima, a substituí-la por «marítimo da marinha mercante».

Iguais aos homens, as mulheres obtiveram o direito a um salário, sem qualquer quota discriminatória. Para festejar a vitória, Sonia mandou construir um grande arrastão vermelho e branco, o Tantaë, entregue em 1964 e concebido por Amédée Delouteau — seu capitão desde abril de 1961 —, cujos planos inovadores ela desenhou com ele e com um arquiteto naval. Saiu dos Chantiers L'Entente, em Les Sables-d'Olonne, onde pertencia a uma série. Viria a mover um processo por defeito de fabrico contra a Berliet, fabricante do motor. Vivia enfim plenamente a sua paixão pelo mar.

Levada pelo mesmo ímpeto, comprou uma pescaria em Le Verdon e criou uma escola feminina de mecânica naval. Esta não durou, sendo limitado o número de voluntárias.

Amédée

Casou com Amédée Delouteau em 1972. O casal divorciou-se depois por razões puramente administrativas, antes de voltar a casar em 1992. A relação com este homem de carácter fora durante muito tempo profissional: contratara-o como mestre, e ele tencionava assumir plenamente essa responsabilidade. Num dia de desacordo, chegou a dizer-lhe que queria ser o único dono a bordo. Reconhecendo essa verdade do mar, ela não lho levou a mal. Pelo contrário: num dia de descanso em Port-Bloc, em Le Verdon-sur-Mer, mostrou-lhe os seus dotes de música e de cantora no piano abandonado de um bar do porto. Como poderia ele resistir? A partir daí nunca mais se separaram, até à morte — ocorrida em fevereiro de 1999 — daquela que passou a chamar-se Sonia de Borodaewsky-Delouteau.

* Inscrito marítimo: profissional do mar registado junto da administração marítima. O sistema de classes instituído por Colbert a partir de 1665 tornou-se a inscrição marítima em 1795; foi abolido pela lei de 9 de julho de 1965, que substituiu «inscrito marítimo» por «marítimo da marinha mercante». Antes do fim do serviço militar obrigatório, o inscrito marítimo era chamado para a Marinha francesa.

** Tantaë, batizado a partir da expressão latina tantae molis erat romanam condere gentem! («Tão árduo era fundar a nação romana!»): construído em 1964 em Les Sables-d'Olonne pelos Chantiers L'Entente, com a matrícula M 10 231 no distrito marítimo de Marennes. Comprimento fora a fora 14,39 m, boca 4,70 m, arqueação bruta 23,54 toneladas, motor Berliet a gasóleo de 140 cavalos. Riscado do registo da pesca para destruição a 24 de dezembro de 1991, após vinte e sete anos de serviço sob três nomes sucessivos.

Ficha do navio Tantaë · PDF (em francês)

Sonia de Borodaewsky sorridente, a bordo do seu barco
Sonia a bordo — fotografia de imprensa

Álbum

Fotografias

Arquivos de família e documentos de época: o porto de Royan, os três barcos, os anos de luta administrativa e de reconhecimento literário.

Sonia de Borodaewsky no convés do seu arrastão, depois de uma maré
No convés, depois da maré
Sonia de Borodaewsky no cais, junto aos barcos de pesca
No cais, junto aos barcos
Sonia de Borodaewsky com crianças no porto
No porto, em família
O arrastão Tantaë atracado, matrícula M 10 231
O Tantaë atracado — M 10 231, distrito de Marennes. Desenho a partir de uma fotografia de arquivo.

O Tantaë, em poema

Conchas
Sem idade
Voluta
Flauta
Espiral
Conchas
Sem idade
Onde canta
Rola
E assenta
A vaga
Movente

Escrito a bordo do arrastão Tantaë, no golfo da Biscaia, em 1962. O poema obteve o primeiro prémio de poesia da Maison des jeunes de Cognac, atribuído pelos Artistes et Poètes de France.

Prancha ilustrada contemporânea, realizada a partir do poema.

Prancha ilustrada do poema de Sonia de Borodaewsky a bordo do arrastão Tantaë

Evocações

Imagens contemporâneas realizadas em homenagem ao Tantaë e àquela que o mandou construir.

Evocação do arrastão Tantaë de Marennes no mar
O Tantaë no mar — evocação contemporânea
Evocação de uma pescadora na mastreação de um arrastão
Na mastreação — evocação contemporânea

Depois dela

A decisão de 28 de janeiro de 1963 abriu às mulheres as profissões da pesca e da marinha mercante. Hoje embarcam na pesca, no comércio e na Marinha francesa — nas condições que Sonia de Borodaewsky arrancou à administração.

A 25 de outubro de 2025, Royan prestou-lhe a homenagem que lhe faltava: foi inaugurada uma placa comemorativa no porto, e um cais passou a ter o seu nome — o cais Sonia de Borodaewsky, virado para o estuário que tantas vezes navegou.

A placa do cais Sonia de Borodaewsky, no porto de Royan
Inauguração da placa do cais Sonia de Borodaewsky, no porto de Royan, a 25 de outubro de 2025, na presença de dois dos seus filhos, Yves Vasseur e Claudine Barreau, e de Éliane Ciraud-Lanoue, vereadora para a condição feminina.
Uma pescadora de hoje a manobrar a bordo de um arrastão
Fotografia contemporânea — as mulheres do mar de hoje
Uma pescadora de hoje de oleado, no mar
Fotografia contemporânea — as mulheres do mar de hoje

Linha de sonda

Uma vida, maré após maré

  1. 21.08.1926

    Nasce em Saigão, na Indochina Pai russo, de uma família nobre arruinada pela revolução

  2. 1957

    Seis meses de hospital — retoma os seus apontamentos e escreve O manuscrito tornar-se-á La Houle

  3. 1959

    La Houle é publicado pela Julliard Prémio Maryse Bastié · traduzido para inglês e português já em 1961

  4. abril de 1961

    Amédée Delouteau torna-se seu capitão Encontro decisivo, profissional e depois pessoal

  5. final de 1961

    Carta de mecânica de pesca, sexta categoria A primeira carta deste género obtida por uma mulher — a brecha por onde entra no rol de tripulação

  6. 28.01.1963

    A proibição herdada de Colbert cai para todas as mulheres O rol de tripulação e as escolas do mar ficam-lhes abertos

  7. 1964

    O Tantaë sai dos Chantiers L'Entente, em Les Sables-d'Olonne Arrastão vermelho e branco de 14,39 m, matrícula M 10 231 no distrito de Marennes

  8. 09.07.1965

    A inscrição marítima é abolida «Inscrito marítimo» passa a «marítimo da marinha mercante»

  9. 1972

    Casamento com Amédée Delouteau Divórcio posterior, por razões administrativas

  10. 24.12.1991

    O Tantaë é riscado do registo da pesca Vinte e sete anos de serviço, três nomes, quatro distritos marítimos

  11. 1992

    Segundo casamento com Amédée Delouteau

  12. fevereiro de 1999

    Morre em Meschers-sur-Gironde

  13. 29.07.2011

    Morte de Amédée — as cinzas são lançadas juntas Ao largo do farol de Cordouan, estuário do Gironde

  14. 25.10.2025

    Royan presta-lhe homenagem É inaugurada uma placa comemorativa no porto, e um cais passa a ter o seu nome: cais Sonia de Borodaewsky

  15. maio de 2026

    La Houle é reeditado em edição aumentada Reeditado pelos herdeiros de Sonia de Borodaewsky em francês, inglês e português, com prefácio e caderno fotográfico inédito — sessenta e sete anos depois da Julliard

  16. 2026

    Centenário do seu nascimento É publicada pela BoD uma biografia de Catherine Goulletquer

Reportagens

Arquivos audiovisuais

A par da sua vida no mar, Sonia de Borodaewsky escreveu romances, ensaios e poemas, marcados pela sua fé católica e pelo seu amor ao mar.

La Houle, o relato autobiográfico dos seus começos no mar, viria a ser traduzido em várias línguas e a receber o Prémio Maryse Bastié.

INA · 27 de abril de 1966

Uma mulher mestre de pesca em Royan

Reportagem do telejornal das 20 horas, filmada no porto de Royan.

Ver em ina.fr

Vídeo · 7 de fevereiro de 1967

Retrato de Sonia de Borodaewsky

Reportagem emitida com o navegador Jacques-Yves Le Toumelin.

Ver o vídeo
Retrato animado, realizado a partir de uma fotografia de arquivo.

Ler Sonia

Os livros

«Sempre amei o mar.» Assim começa La Houle. Durante muito tempo, Sonia de Borodaewsky não se atreveu a confessá-lo a si mesma. Depois, numa manhã de abril, sentada sobre um cabo a olhar o porto de Royan, cedeu.

Nesse dia tinha trinta anos e cinco filhos. Embarcou.

O que se segue não é um devaneio marítimo. É o porto na maré baixa, a água lodosa ao pé dos cais, as apanhadoras de ostras dobradas em dois, as mãos abertas pelas conchas. É uma rede rasgada a despejar sobre o convés uma massa fervilhante: o camarão a chiar, os caranguejos a estalar, um choco a cacarejar como uma galinha zangada. São catorze horas de mar, cinco horas para descarregar a pesca, fazer as compras e ver os filhos, cinco horas de sono. E recomeçar no dia seguinte.

Sonia escreve o que vê, sem embelezar. O polvo que devolve à água em vez de o matar, e o marinheiro que troça da sua pena. Nós de confeiteiro em vez do nó direito. O guia de cabo partido, quinze mil francos. A humilhação de aprender um ofício diante de homens que a veem aprender.

O livro valeu-lhe o Prémio Maryse Bastié em 1959 e abriu-lhe os salões de Paris. Regressou a Royan. O que ela queria não era a glória: era constar do rol de tripulação como os homens, com o salário, a proteção social e a reforma. Acabou por consegui-lo — e por consegui-lo para todas as que viriam depois.

Apresentação do livro — 58 seg (em francês)
Capa de O Marulho, edição portuguesa de La Houle

O Marulho

Edição portuguesa de La Houle · A Primeira Mulher no Mar · Eden Book LLC, 2026 · ebook EPUB sem DRM, 139 páginas

Royan, anos 1950. Trinta anos, cinco filhos e uma paixão pelo mar que ainda não ousa nomear. O relato de Sonia em português.

Capa de La Houle, edição aumentada

La Houle

Relato autobiográfico · Julliard, 1959 · Prémio Maryse Bastié · edição aumentada, com prefácio de Dominique de Borodaewsky e caderno fotográfico inédito · em francês

O texto original: os seus começos no mar e o seu braço-de-ferro com a administração. Disponível em papel e em formato digital.

Capa de The Surge of the Sea, edição aumentada

The Surge of the Sea

Edição inglesa de La Houle · primeira tradução: Robert Hale, Londres, 1961 · edição aumentada · ISBN 978-2-9574621-9-3

A versão inglesa do relato, disponível em papel e em formato digital.

Capa da biografia Sonia de Borodaewsky, de Catherine Goulletquer

Sonia de Borodaewsky

Biografia de Catherine Goulletquer · BoD — Books on Demand, 2026 · 338 páginas · ISBN 978-2-322-85830-9 · em francês

«A mulher que abriu o mar às mulheres.» Uma biografia publicada para o centenário do seu nascimento, de Saigão a Meschers-sur-Gironde.

Capa da biografia Sonia de Borodaewsky, edição inglesa

Sonia de Borodaewsky — The Woman Who Paved the Way

Edição inglesa da biografia de Catherine Goulletquer · BoD — Books on Demand, 2026 · ISBN 978-2-322-83737-3

«The Woman Who Paved the Way for Other Women in the French Maritime Industry.» A tradução inglesa da biografia do centenário.

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Livreiros: contactem webmaster-saisie@hachette-livre.fr ou encomendem através de EDI, Dilicom ou do portal hachette-diffusion.fr

Imprensa e ligações

O que se escreveu sobre ela

Sud Ouest · Royan

Primeira mulher pescadora, Sonia de Borodaewsky relegou o decreto Colbert ao esquecimento

Retrato da luta administrativa que abriu o mar às mulheres. Em francês.

Ler o artigo

Sud Ouest · Royan

Royan: sessão de autógrafos na Librairie du Rivage

Encontro em torno da obra e da memória de Sonia de Borodaewsky. Em francês.

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Maud Fontenoy

Femmes océanes — as heroínas que nos levam ao mar

O capítulo dedicado a Sonia, em acesso livre em PDF. Em francês.

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Enciclopédia

Entrada na Wikipédia

Biografia enciclopédica e fontes associadas. Em francês.

Consultar a entrada

Mémoires de guerre

Borodesky, Sonia de

Ficha biográfica sobre o seu percurso de resistente e de marítima. Em francês.

Ler a ficha

Pêche Tonton

Sonia de Borodaewsky

Artigo dedicado à pioneira da pesca profissional. Em francês.

Ler o artigo

Pays Royannais magazine · n.º 2, 2015

Sonia — página 37

A revista completa no Calaméo. Em francês.

Folhear

Heráldica · Gerbovnik

Armas da família de Borodaewsky

Brasão registado da família nobre Borodaevsky.

Ver o brasão
Capa de Femmes océanes, de Maud Fontenoy
Femmes océanes — Maud Fontenoy
Armas da família de Borodaewsky
Armas da família de Borodaewsky

Armorial da família Borodaevski

Duas pranchas do armorial da nobreza da província de Voronej, de onde descendia Sonia de Borodaewsky pelo lado paterno.

Prancha 105 do armorial: brasão da família nobre Borodaevski
Prancha 105 do armorial, aprovada pela Assembleia da Nobreza de Voronej a 28 de novembro de 1901. O brasão é assim descrito: escudo partido; de azul, uma espada de ouro em pala, com a ponta para baixo; de prata, uma banda de azul debruada de filetes, acompanhada de duas bombas de negro inflamadas.
Ato de atribuição das armas à família Borodaevski
O ato de atribuição. A Assembleia da Nobreza de Voronej, tendo examinado a ascendência do nobre Mikhail, tenente alistado na milícia de Voronej durante a campanha de 1812 e enobrecido em 1836, reconhece a nobreza da sua descendência: os filhos Piotr, Porfiri e Vassili, os netos Ossip, Evsei e Inokenti, os bisnetos Vladimir, Pavel e Vassili, e todas as descendentes da família. Decisão de 29 de outubro de 1904, confirmada pelo Departamento de Heráldica do Senado Dirigente.

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Para qualquer pedido relativo a direitos, arquivos, uma reedição, uma tradução ou uma encomenda direta das obras.

Titular dos direitos — em representação dos herdeiros da família de Borodaewsky Dominique de Borodaewsky Telefone e WhatsApp +596 696 41 70 24 Correio eletrónico deborodaewsky@gmail.com